A descentralização da satisfação do meu desejo (Parte II)
Em um mundo acelerado, onde o desejo é instantâneo,
A satisfação se torna efêmera, o prazer momentâneo.
O erotismo, outrora profundo e intenso,
Agora se perde na velocidade do consenso.
A internet e a tecnologia nos distanciam,
Do toque, do olhar, da conexão que nos fascinam.
Desejamos sem ver, amamos sem tocar,
Construímos amores profundos, sem nunca nos encontrar.
Mas o desejo mais profundo, o anseio mais sincero,
É ser desejado pelo outro, é ser o primeiro.
Seja pela beleza, inteligência ou pelo ato,
Desejamos ser vistos, ser amados, ser de fato.
A sociedade nos impõe padrões, nos dita regras,
E nos perdemos em desejos, medos e entregas.
O jovem que sabota o amor, temendo o abandono,
A mulher que se deprecia, sentindo-se um mono.
Mas a chave está em reconhecer, em compreender,
Os desejos que nos movem, que nos fazem viver.
Trabalhar com eles, trazê-los à luz,
E assim, encontrar a paz, encontrar a cruz.
Porque o desejo é uma força, é uma chama,
Que nos impulsiona, que nos clama.
Mas ao direcioná-lo, ao moldá-lo com cuidado,
Podemos criar vidas de significado, vidas de agrado.
E assim, em meio a desejos e anseios,
Buscamos a verdade, buscamos os esteios.
Porque no fim, o que realmente importa,
É ser desejado, é ser a porta.