Dança da Centrífuga

Roda o asfalto, gira o tambor,
Corta o ar o sopro do motor.
Gira o volante, busca a fração,
Mede no milésimo a colisão.
Lindo o trajeto, puro esplendor,
Vence quem chega, perde quem for.
Quem precisa da rocha no alto a prumo?
Quem precisa da corda indicando o rumo?
A pedra sustenta o peso do pé,
Mas a pista exige correr sem fé.
Cada sentença dada no nó,
Pesada na balança, reduzida a pó.
Sorriso na face, dente no trilho,
Cuidado no passo, foco no brilho.
Engrenagem acesa, fogo sem luz,
Ritual de cinza que o circo conduz.
O trono do centro começa a ranger,
A nódoa do topo vai se desfazer.
A rede se espalha, o fluxo é sem dono,
O saber se evapora do alto do trono.
Pisa no pedal, celebra a largada!
Acelera o vácuo na curva fechada.
Bate o aplauso, ergue o metal,
A glória da névoa no ponto final.

