2026-03-24-O-Espelho-do-Tirano
O Espelho do Tirano
Vês o gigante? Vês o metal?
Vês a verdade? Ou só o sinal?
Crer na corrente, crer no pastor,
Crer que a verdade é filha da dor.
O olho que te olha é o olho que emprestas,
O braço que bate é o que resta das festas.
O sistema não cria, ele apenas consome
A tua verdade, trocada por nome.
Ele diz: “É a ordem, o fluxo, o direito”,
Mas a verdade é um grito guardado no peito.
Não é o pé que esmaga que traz a razão,
É a mentira aceita por pura omissão.
O mestre é pequeno, um sopro de nada,
Cresce na sombra da alma enganada.
Vende-se o fato como lei natural:
“O forte em cima, o fraco no mal”.
Mas a verdade é um espelho quebrado,
Onde o servo se vê como um rei disfarçado.
O costume é o ópio, o hábito é o véu,
Que faz do inferno o teu único céu.
O sistema sussurra: “Não há saída”,
Enquanto te rouba a verdade da vida.
Basta um olhar para o lado, o desvio,
Para ver que o gigante é um trono vazio.
Ele não tem força, ele tem o teu sim,
Ele não tem glória, ele tem o teu fim.
A verdade não é o que o mundo te impõe,
Mas o que resta quando o medo se expõe.
Quebra o espelho, rasga o contrato,
A verdade é o avesso desse teatro.
Se o povo não olha, o ídolo cai,
Se a voz se liberta, o silêncio se esvai.
A verdade é o fogo que a servidão teme,
Enquanto o sistema, de susto, já treme.

